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OS INIMIGOS DA FÉ CRISTÃ NO SÉCULO XXI

04/04/2010 22:00

A história da igreja nos mostra que os cristãos vivenciaram a sua fé diante de diversos inimigos no decorrer dos tempos. Estes inimigos forâneos  usavam todo o poder que tinham para subverter a fé cristã tentando diminuir o seu alcance e a força da sua atração com ataques em forma de perseguições em todos os níveis. A história da igreja tem 21 séculos de lutas, muitas delas marcadas com a semente dos mártires – o sangue.

            Como nos séculos anteriores no século XXI as perseguições não diminuíram ao ponto que temos notícias de diversas perseguições em determinadas partes do mundo. No entanto, também podemos identificar outros inimigos contemporâneos da fé cristã que têm invadido a igreja diluindo seu pensamento e prática cristã. As palavras de advertência do apóstolo Paulo se tornam atuais: “E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” Atos:20:30.
Estes homens, nem mesmo percebem que estão sendo conduzidos pelos parâmetros mundanos, uma vez que seus discursos são fruto da pregação neoplatônica atual que dicotomiza o ser humano e que valoriza exclusivamente os “pecados sexuais ou contra o corpo”, sem se preocupar outras expressões e práticas da fé impregnadas pela visão mundana, oferecida pelo sistema atual. Dentre os atuais inimigos da fé cristã podemos citar: a globalização, o lucro, e o pensamento neoliberal. Sem dúvidas, estes três elementos formam uma tríade satânica que muitos não conseguem enxergar.
            Com a globalização o fenômeno da fé cristã foi padronizado. Não há mais a liberdade de questionar os pressupostos atuais e as expressões da fé cristã impostas pelo mercado da privatização da fé. A imposição de modismos, do pensamento linear da fé e de uma expressão cúltica padronizada tem gerado grupos hierárquicos na igreja. As diversidades hierárquicas exercem o controle por meio do padrão imposto das expressões de fé. Isso estupra e castra o que o evangelho tem de mais precioso, a liberdade. Muitos que criticaram o “tradicionalismo” de ontem e foram “marcados” pela defesa da liberdade cristã, e foram perseguidos numa inquisição sem fogueiras, caem hoje no “tradicionalismo do mercado” gerando uma casta cristã acima das críticas e dos questionamentos de suas práticas e de seus pensamentos ditos cristãos.
            Em busca do lucro hoje se vive, fruto da globalização x evangelho,  uma crise de identidade cristã. Não se sabe definir o que é evangelho. Muitos,  citando Filipenses 1:18: “Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda”,  acreditam que pode ser apresentado qualquer Cristo. O texto, porém, defende que a motivação de pregar seja qualquer uma,  mas não permite a deturpação da pessoa de  Cristo. Sim, qualquer método é permitido,  mas não qualquer conteúdo. Qualquer estratégia se permite, mas não qualquer Cristo. Mas por causa dos interesses do “lucro religioso” seja ele “almas salvas”, “prosperidade a ser alcançada”, “sucesso eclesial”, “vantagens do poder”, a pessoa e a mensagem do Cristo sofre vilipêndios, violência, que escandaliza até os incrédulos do evangelho.
A história da igreja cristã caminhou sempre em oposição ao pensamento de ganhar o mundo sobre a condição de deturpar a mensagem; quando a igreja deixou de ter essa postura, a fé cristã foi diluída de tal forma que culminou, no século XVI, na necessidade da Reforma para fosse retirado todo paganismo da igreja. “Os grandes homens”, para o pensamento neoliberal, são precisamente aqueles que se mostram mais bem-sucedidos no esmagar e ultrapassar de todos os outros, construindo impérios empresariais a partir, por um lado, da concorrência mais feroz do vale-tudo e, por outro lado, não menos importante, da exploração mais despudorada dos trabalhadores.”  Esta citação cabe perfeitamente na prática atual da igreja.
            Uma das máximas do pensamento neoliberal  pelas quais  o indivíduo é direcionado em sua conduta passa inevitavelmente por um raciocínio do tipo custo/benefício. Basicamente, o indivíduo teria que se comportar sempre de acordo com a equação “quantos mais benefícios tiverem em relação aos prejuízos melhor”. Há diversos ensinamentos neoliberais que foram introduzidos na prática e no pensamento cristão, um deles é a tentativa de extinção do pensamento crítico do sistema. Há uma tentativa de desqualificar a crítica por meio de argumentação “ad hominem”, na qual a argumentação é dirigida à pessoa que critica, buscando sua desqualificação como pessoa. No meio cristão as questões comportamento e identidade são fundamentais para serem aceitos os argumentos. Um cristão jamais poderia usar fontes sociais e filosóficas, pois estas são incompatíveis com o cristianismo, uma vez que  muitos dos pensadores não professam essa fé. Ao se eliminar o pensamento crítico, perdeu-se a beleza do pensamento criativo que Deus outorgou ao ser humano.
            Nesta breve reflexão queremos alertar que a mensagem do verdadeiro evangelho de Jesus é incompatível como o que se ouve, se lê e se prega atualmente em nosso Brasil. A mensagem jesuínica é claramente contra a “padronização da globalização” que conduz ao ser humano a viver a prática de uma fé cristã que não é fruto da sua essência e existência de vida. A idéia do lucro nunca passou próxima da mensagem de Jesus. Quando se pensa em lucro, alguém perde, mas a fé e mensagem evangélica  é servir sem esperar o retorno ou o ganho.
O Jesus dos evangelhos conduzia as multidões em liberdade e as deixava escolher a quem servir. O Mestre usou as estruturas da época para que servissem ao povo que estava em trevas e sem pastor. Foi essa a razão de sua crítica aos fariseus saduceus, herodianos, daquele tempo e é aos atuais inimigos da fé que sua palavra deve continuar a combater em nossos dias. 

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