Juntas Adoração Teologia e Vida

PROLOGO - PARTE FINAL

10/04/2010 20:48

A presença do grupo “das donzelas” e das “filhas de Jerusalém”, “os filhos da minha mãe” logo a seguir pode ser  visto como era  o ambiente e  o desenvolvimento social do  relacionamento amoroso dos amantes. O casal esta cercado de relacionamentos sociais, no poema cada grupo social exerce um papel diante dos amantes. Dessa forma se entende que o amor e o erotismo vivenciado pelo casal não está fora dos laços sociais do mundo onde o casal está. O que se encara no poema é que o casal desenvolve um determinado padrão comportamental que está sob vigilância dos outros, sendo para aprovar ou desaprovar. No contexto do poema a sociedade não via com bons olhos este comportamento amoroso. Nesta ótica entende-se que o relacionamento amoroso, sexual faz parte do mundo social e é a sociedade que media este relacionamento seja através da aprovação, repressão e tabus.. Para a sociedade se É algo aprovado deve ser vivenciado este relacionamento. No contexto de Cantares o casal esta desenvolvendo um relacionamento a margem da sociedade diante dos costumes sociais e tradicionais imposto pela família tradicional que neste caso é a escolha do esposo e o seu desenvolvimento sexual apontado com o objetivo reprodutivo. No poema esta sexualidade não é ilegal, não é imoral, nem vai contra os padrões do desenvolvimento humano mas pode ir contra as idéias sociais, neste caso é a entrega e busca do prazer erótico

Ë bom saber que este amor não se origina e nem se desenvolve por causa do ambiente, mas no meio ambiente e apesar do ambiente. Este amor é livre tanto  na mente e no corpo daqueles que amam e ele pode  caminhar contra as conveniências e vivência da sociedade. Noutras palavras a sociedade não pode impor ao casal que ama:  quem cada personagem deve amar, quando amar e porque amar. O amor, o erotismo feminino, nestes versos, é um grito de liberdade na procura da satisfação feminina. É a mulher que está sedenta do amor do seu amado

Na segunda parte do prólogo a mulher ilustra a sua entrega total noutra figura. A prisão da paixão sexual. Sentir desejos, se sentir atraída e não ser satisfeita nos seus desejos gera a ansiedade do pedido apaixonado. Ela pede: “Arrasta-me contigo... Leva-me o rei...’(BJ) A figura poética indicada pelo verbo (Levar, puxar) traz implícita uma comparação implícita entre o agir físico, literal de  “arrastar”(BJ); “levar”(NVI) a uma pessoa, porem, ao mesmo tempo  sendo conduzida com bondade, pois ela esta “apaixonada”- amarrada as cordas da sua paixão em relação ao seu amado (Cf. Os:11:4). É um ponto de comparação extraído da figura do conduzir um animal amarrado com cordas. É a figura de um militar vencedor que conduz o seu prisioneiro cativo o qual  foi  conquistado na guerra. É uma figura forte na qual  o poeta deseja expressar o poder de atração do desejo sexual que uma mulher apaixonada pode sentir pelo seu amado

Embora a linguagem figura aponta a força do amor, este amor é oferecido por uma mulher que s e  rende voluntariamente.Assim como já foi dito a respeito da embriaguez do vinho que leva a mulher ao desmaiio, agora se rende pela voluptuosidade do desejo e da forte atração erótica pelo seu amado. Ela não está em condições  de ser a soberana do seu amor. Ela se entrega como uma vassala do amor

 Nesta segunda parte do prólogo a mulher está prisioneira ao seu amado pelo seu amor e desejo  mas também deseja  que o seu amado, indicado através da figura do  “rei” tenha esta mesma experiência. A experiência do desejo e concretização do ato sexual mais uma vez é comparada ao vinho. Embora que desta vez o momento é para ser vivido nos aposentos do rei.  Os aposentos são lugares fechados íntimos. E o lugar da entrega sem restrições. São lugares onde os jogos eróticos e a expressão da sexualidade pode ser expressa e degustada sem tabus moralistas. A  qualidade  do erotismo procurado em ser vivenciado pela mulher  está na indicação através do tema da realeza. A figura do rei aparece em destaque para indicar a pessoa do amado e não necessariamente a pessoa de Salomão. Pode trazer a lembrança especificamente a pompa que o mesmo Salomão vivenciou nos palácios e que foi parte da história da nação e agora serve de modelo as mulheres para expressar a riqueza, realeza, a pompa da sexualidade feminina e masculina desfrutada no ato de fazer amor. Embora não indicações históricas a respeito de uma grande paixão do rei Salomão mas há é conhecida a história da realeza e do fulgor dos palácios reais

O desejo de estar na intimidade dos aposentos reflete a esperança de ser atendida no seu pedido. Freqüentemente as expressões originais usadas neste texto aparecem em contextos de oração a Deus, onde aqueles que oram esperam ansiosos a respostas as suas preces. É a expectativa da espera e concretização do desejo que os piedosos expõem abertamente nas suas súplicas (Cf. Sl:3:8; 22:22; 31:5-6). Aqui, ela expressa o desejo de consumar o seu amor nos aposentos do amado. Ela vive na expectativa do dia do amor. A intimidade do casal é para viver nos lugares particulares eleitos para o ato.

O que se pode ver  nesses primeiros textos, locados no prólogo, é apresentação de um mundo cheio de sensações. Especificamente relacionado com a prática do amor e atração sexual. O olfato, o gosto e a visão são elementos que participam deste festival amoroso. A pratica do erotismo, da atração e concretização sexual deve ser plena e não algo mecânico. Fazer amor é viver um envolvimento físico, emocional, cheio de sensações. Fazer amor não é algo animalesco, mas é algo que envolve todo o ser: o caráter, a personalidade, a sensualidade. Esta o envolvimento total da pessoa que ama. E este envolvimento não se limita ao corpo somente, mas também os lugares particulares e íntimos são desejados para concretiza o ato sexual.  Fazer amor é uma sinfonia não somente dos corpos mas também do lugar. Todo que envolve a expressão do erotismo deve ser feito com qualidade e exclusividade. É um momento único

O ato de fazer amor tem sido expresso através dos séculos pelos poetas como sendo algo envolvente. Sendo a poesia um dom de Deus ela não podia deixar de estar no texto sagrado que para muitos é considerado a Palavra de Deus revelada para a humanidade.  Nestas palavras são encontradas  orientações claras para entender a expressão sexual como sendo parte da natureza humana. Pois .aquele que diz “multiplicai-vos” permite a expressão poética da paixão de dois enamorados. Estes  através da poesia acendem as labaredas da paixão e do prazer mostrando a expressão da sexualidade  como dom divino oferecido por Deus dadivoso.

Observando esta exposição poética não pode ser negada a liberdade que a mulher tem para expressar a sua sexualidade. No contexto da época este poema pode ser considerado de uma forma avançado. Embora muitos enxergam nos escritos bíblicos que a mulher vive subjugada a uma visão machista., estes  textos sagrados apontam o contrário. Apresentam um repudio a expressão machista sobre o feminino especificamente na sua sexualidade. Outros ainda entendem que os  textos por serem antigos apontam uma cultura que poderia ter uma aversão ao corpo. Mas este prólogo deste texto bíblico  aponta o contrário. Ele não indica uma fuga do prazer nem ainda há uma repressão ao desejo sexual. Mostra uma mulher ciente daquilo que carrega no seu ser e corpo, por isso a totalmente mulher se entrega ao seu amor que ela escolheu para amar

Este cântico, já no seu prólogo,  caminha na contramão da idéia que os textos bíblicos estimulam e promovem uma repressão feminia. Aqui há uma mulher liberada, sexualmente ativa e com a sua sensualidade a flor da pele. Ela deseja e pede ser satisfeita pelo seu amado sexualmente. Ela é a expressão do erotismo feminino que é um  presente de Deus para a humanidade.

Neste prólogo o leitor é levado ao campo erótico dos corpos e da linguagem dos sentidos. Toques e sentido fazem parte do mundo erotizado do casal que se entrega ao amor

Contato

Pesquisar no site

Igreja XX-XXI

15/05/2010 13:37

A Vitória da Graça

No dia 31 de outubro de 1999, em Augsburgo, não muito longe de onde ficava um dos primeiros campos de concentração da Alemanha nazista (Dachan), o cardeal Edward Cassidy, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade Cristã, representando o Vaticano, e o bispo Christian Krause,...

© 2010 Todos os direitos reservados.

Crie um site gratuitoWebnode